Monday, November 27, 2006


Se sentir como fazendo parte de todo esse teatro, às vezes até que é bom. Compartilhar cadeiras vazias, sucos de diferentes sabores – o de hoje foi de framboesa, laranja e hortelã -, experimentar caras novas, palavras ruins, gesto que nem se nota, olhares para a direita, para a esquerda. O mesmo mundo que faz, quase sempre, com que nos sintamos invisíveis, às vezes faz questão de mostrar as nossas caras, os nossos defeitos, as nossas angústias e faz com que todos nos ouçam no momento da nossa fala mais estúpida.



Porém, me vir como fazendo parte do mundo acontece raramente. Porque, na maior parte do tempo, me sinto um objeto sozinho em uma prateleira vazia, um sujeito sem predicado. Normalmente não há ninguém para tomar o chá das cinco comigo...Contudo, ainda que eu esteja enganado, prefiro pensar que as pessoas não gostam de chá a pensar qualquer outra coisa...



Nunca tinha reparado que o barulho do vazio é um enorme eco. Eco.

No comments: