Wednesday, November 22, 2006

Fogo



Você faz arder algo em mim...
Uma palavra basta pra me incendiar,
O dano é irreversível.

Espanto-me com a sede que sinto deste calor,
Com o desejo deste sofrimento, desta ardência,
Que me faz sentir viva.

Um alarme dispara,
Que me avisa do que já é tão óbvio
Externa o que ainda é interno,
Um calor que se mostra em febre.

Fogo feroz, que invade as terras longínquas,
Há tempos desabitadas, ou ainda inexploradas,
Matas virgens, tornadas nuas por tua mão.

Em minha cama de folhas,
Fico desperta por horas na madrugada,
De um lado a outro, me giro incendiando tudo ao redor.

As folhas secas em meu corpo não desejam chuva,
Desejam o toque de tua chama dispersa,
De tuas fagulhas momentâneas que se apagam e se acendem,
E alentam em mim desejos loucos e proibidos.

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