Wednesday, November 22, 2006

Hoje





Hoje o sol não nasceu cedo,
Lembrei-me das palavras doces de anos atrás,
Num dia de sol quente,
Numa tarde de sol poente.

Hoje não tive a maciez de tua pele em meu despertar,
Não tive o cheiro de cerejeira do teu barbear,
E me fez mais falta do que deveria
O teu suave espreguiçar.

Hoje me lembrei que já tinha esquecido
Do sorriso sem motivo,
Dos bilhetes escondidos,
Das noites de brisa quente,
De procurar estrelas cadentes.

Hoje senti o preenchimento de sua ausência,
Que tomou o espaço de todas as coisas,
e já ocupou mil e duzentas linhas,
Que já encontrou e perdeu a paciência,
esqueceu da própria decência.

Hoje senti de novo pulsar nas veias
o jorro de uma vida inteira,
A parte de mim que ainda é verdadeira,
E que escorre por páginas inteiras.

Hoje o que pareceu ser uma eternidade,
Percebi ter sido só um mês
ou um pouco mais, talvez,
Que as horas se arrastaram,
Os dias não começaram,
As tardes se dissiparam,
E a noite nunca mais chegou.

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